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O tempo da liquidez


Foto: Arquivo Pessoal - Maria Júlia Silva Neta (Maju), acadêmica do 7º Período do curso de Direito e servidora pública estadual. E-mail: juliaguarai@hotmil.com.
Foto: Arquivo Pessoal - Maria Júlia Silva Neta (Maju), acadêmica do 7º Período do curso de Direito e servidora pública estadual. E-mail: juliaguarai@hotmil.com.

Publicado em 28/08/2019 16:32 - Categoria: Opnião
Atualizado em 28/08/2019 16:39 - Escrito por: Marcelo Gris

Por Maria Júlia Silva (Maju).

 

Tem-se observado uma grande mudança na sociedade. O que antes era valorizado, compartilhado com objetivo comum, intenso, duradouro atualmente tem sido o inverso. A sociedade não é mais voltada para o coletivo, não tem o mesmo objetivo. A vida, os relacionamentos não são mais duradouros, fortalecidos, tudo se escorrega pelas mãos, derrete... vira liquido...some...

 

Enquanto se faz uma análise do passado, das convivências, da vida em comum, do respeito mútuo, da verdadeira amizade. Quando se abre os olhos, percebe-se que isso não mais existe com tanta frequência... O que será que aconteceu?  Porque não convivemos mais, não visitamos os familiares, amigos?

 

Os pensamentos não são a longo prazo, não se tem mais a preocupação com o outro, cuidar, lutar pela humanidade os grandes projetos sociais voltados para o contexto geral, não existem mais... São raros, perderam pura e totalmente suas forças...não tem quase mais nada voltado para o alcance coletivo.

 

O modelo de sociedade é preparado para consumir, está cada vez mais organizada para ser individualista, está cada vez mais difícil partilhar, trabalhar as relações sociais, ouvir o outro, ajudar. Sociedade e relações demandam tempo e muito trabalho e isso não se quer mais.

 

A liquidez acontece pela forma de perder a reflexão em relação ao outro e, buscar-se fugir das experiências difíceis e tristes, mergulhando no mundo o qual acredita ser mais prazeroso. A procura pela satisfação individual é maior, sem referencial, sem objetivo, sem planejamento até mesmo para construir um projeto de vida, um emprego para a vida inteira ...como planejar o futuro se não existe estabilidade?

 

A liquidez toma forma gigante e a incapacidade de fixar, de se construir, vai por água abaixo... O que se projeta é o momento, o material. E o ser humano como é que fica? Desce ralo a abaixo. Fica para trás e o que prevalece são as vantagens imediatas. Até que ponto temos que nos moldar ao que a sociedade diz para sermos? Eu quero ou não estar nesse processo? Eu posso estar globalizada e conectada sem fazer parte dos esquemas?

 

Tempos atrás havia uma esperança de que o mundo e as atitudes precisavam ser mudados, havia a necessidade de somar forçar, a esperança de unificar o potencial humano para a transformação e a união para que mudanças pudessem ser realizadas. Mas, tudo foi mudando, desaparecendo e a sociedade foi enfraquecendo os padrões fortalecedores.

 

Toda interpretação hermenêutica trabalha a sociedade e as relações de interpretar o que, para que, e, como a aplicação do Direito se apresenta na sociedade.

 

Vale refletir: Como o ser humano vai construir um futuro, uma família, se eles conectam e se desconectam das pessoas com grande facilidade, principalmente quando aparecem os conflitos? Como serão fortalecidos relacionamentos se quando essa conexão desaparece   quando surgem divergências? Texto de cunho meramente reflexivo.

 

“Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda percepção, para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio de Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Filipenses 1:9-11)

 

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Maria Júlia Silva Neta (Maju), acadêmica do 7º Período do curso de Direito e servidora pública estadual. E-mail: juliaguarai@hotmil.com.

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