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Estamos em queda livre


Foto: Arquivo Pessoal - Autor faz uma reflexão sobre a precoce morte do cantor Gabriel Diniz e dos pilotos Linaldo Xavier e Abraão Farias, vítimas de um acidente aéreo ocorrido em Alagoas nesta última segunda-feira (27/05).
Foto: Arquivo Pessoal - Autor faz uma reflexão sobre a precoce morte do cantor Gabriel Diniz e dos pilotos Linaldo Xavier e Abraão Farias, vítimas de um acidente aéreo ocorrido em Alagoas nesta última segunda-feira (27/05).

Publicado em 28/05/2019 11:14 - Categoria: Opnião

Por Marcos André Silva Oliveira.

 

E lá na mesa terá uma mãe que não precisará por um copo a mais, os talheres serão diminuídos, a salada com o tomate cortado de um determinado formato perderá o motivo de ser feita.

 

2019 não pode ser cancelado, a vida continua para os que ficam, enquanto ficam. Tudo aqui é um estágio para a eternidade, boa ou ruim, essa construção você faz na empatia ou não da lida diária.

 

Mas, para os familiares, amigos e amores quem morre não é o GD que deu nome, vida e todo o curriculum para a Jenifer. Ontem quem precocemente partiu foi o menino que rasgou no dente, com sabor de suor e sangue, quem sabe talvez muitos nãos, uma carreira ainda em construção, com um hit chiclete, repetido até por quem dizia não gostar.

 

A morte é de fato o momento onde o sonho socialista ocorre, com ela pobres, ricos, brancos, negros, homens, mulheres e todas as siglas se irmanam na certeza da finitude.

 

Estamos todos no mesmo monomotor onde se esvaiu a vida de Gabriel Diniz, Linaldo Xavier e Abraão Farias, por sorte, estamos saindo vivos dos nossos trabalhos, do trânsito, da maldade nossa e da alheia. Se for possível, é necessário convidarmos Deus, sempre e de forma irrestrita para andar conosco, não para que sejamos isentos e imunes aos problemas, mas para que aprendamos, como Jó aprendeu, que em toda e qualquer situação devemos crer, amar, e saber que se fizer ou não, Deus é sempre Deus.

 

Por último, é preciso agora pegarmos nossas bagagens, ou aquilo que delas restaram, descermos do monomotor e orarmos todos por essas famílias, por essas almas, mas principalmente, orarmos por nós que aqui ficamos. Orarmos em gratidão pelo muito que temos, cada um a sua maneira todo dia faz um show, lança um hit, ganha fãs. Todos nós temos uma plateia e somos o mundo e o exemplo para alguém. Amemos mais, nunca sabemos quando será nosso último voo.

 

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Marcos André Silva Oliveira é professor de Língua Portuguesa, especialista em Literaturas de Expressão Portuguesa: Portugal, Brasil e África e advogado especialista em Educação e Direitos Humanos. E-mail: advogadomarcosandreoliveira@gmail.com.

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