Anuncie neste site

Crianças que não querem mais viver


Foto: Arquivo Pessoal - Autor faz uma reflexão do cenário que envolve o suicídio cometido por crianças e adolescentes no Brasil, além do papel da família, da escola, da sociedade do Estado em relação a este grave problema.
Foto: Arquivo Pessoal - Autor faz uma reflexão do cenário que envolve o suicídio cometido por crianças e adolescentes no Brasil, além do papel da família, da escola, da sociedade do Estado em relação a este grave problema.

Publicado em 24/07/2019 22:11 - Categoria: Opnião

Por Maykon Dhonnes de Oliveira Cardoso.

 

“O maior desafio da escola atualmente é descobrir por que nossas crianças não querem viver”. A frase da Doutora em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Viviane Mosé, evidencia alguns pontos que gostaria de desdenhar nesse pequeno artigo de opinião.

 

Dados do Ministério da Saúde, apresentados em 2018, apontam que crianças e adolescentes foram os que mais cometeram suicídio nos últimos anos. No Brasil, as mortes na faixa etária de 10 a 14 anos cresceram 65%. Entre o público com idade entre 15 e 19 anos, o aumento foi de 45%. Tais dados acendem o sinal de alerta entre as famílias e a comunidade escolar.

 

Então? Quais as causas deste fenômeno? Porque nossas crianças, adolescentes, jovens não querem mais viver? “Em relação ao bullying e a pressões sociais. As redes sociais motivam aumento de ansiedade e até de depressão, seja por comentários maldosos ou boatos, que viralizam”, contextualiza o psiquiatra Mario Louzã, membro do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise (SBP-SP).

 

A pressão da vida moderna, a intensificação para se tornar um profissional bem-sucedido e a falta de referências tornam crianças seres vulneráveis por não conseguirem suportar tantas situações para uma curta experiência social.

 

Se antes a família era formada por pai, mãe e filhos, e estes evidenciavam um suporte para a construção do indivíduo, atualmente, a internet ocupou tal espaço, pois o pai trabalha o dia inteiro e a mãe saiu de casa (com razão) e foi estudar, construir uma carreira profissional e conquistou sua independência financeira.

 

E as crianças? Ficaram com o Google e lá buscam referencias, constroem pensamentos e se formam. Mas, se a família não tem cumprido o seu papel, o Estado Brasileiro tem caminhado para a integralização do ensino, com a finalidade da escola suprir a necessidade, que de acordo com a Constituição, deveria ser da família. O problema é que definitivamente o governo não consegue atingir resultados positivos.

 

A escola não pode, de maneira alguma, ensinar ética para o educando, esse papel é exclusivo da instituição familiar. A escola atualmente encontra-se em um beco sem saída, ela é obrigada a dar conta de todos os problemas sociais como desigualdade, pobreza, miséria, suicídio, depressão entre outros milhares de fatores, isso tudo sem possuir incentivos financeiros do Estado Brasileiro e da sociedade civil.

 

O que vai acontecer? Só o futuro nos dirá.      

 

-----------------------------------

 

Maykon Dhonnes de Oliveira Cardoso é professor, especializado em docência do ensino fundamental, graduado em pedagogia e aluno dos cursos de especialização em sociologia e política. E-mail: prof.maykoncardoso@gmail.com.

Compartilhe: