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A educação no país da passividade


Foto: Arquivo Pessoal - "O indivíduo que é forçado a ficar sentado, parado o tempo inteiro por um período considerável, logo tornar-se-á um ser passivo, aceitador e sem criticidade para reivindicar os próprios direitos.
Foto: Arquivo Pessoal - "O indivíduo que é forçado a ficar sentado, parado o tempo inteiro por um período considerável, logo tornar-se-á um ser passivo, aceitador e sem criticidade para reivindicar os próprios direitos.

Publicado em 10/07/2019 22:41 - Categoria: Opnião

Por Maykon Dhonnes de Oliveira Cardoso.

 

“As pessoas atualmente aceitam tudo de forma passiva, não questionam, simplesmente aceitam’’. Em uma roda de conversa, hoje com alguns amigos, ouvi a afirmação acima que me trouxe a reflexão do papel da instituição escolar no processo social na contemporaneidade.

 

De acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho’’, pois bem, analisando o fragmento do documento acima, é perceptível que o responsável pela formação educacional de uma criança, em seu primeiro momento é a família e em seguida o estado.

 

Como educador, me veio a reflexão da pratica educativa vigente no contexto nacional, onde a maioria esmagadora de instituições escolares ainda tratam o indivíduo como ser passivo. O educando inicia a educação infantil, aprendendo por meio situações diversas como brincadeiras, corridas, dinâmicas interativas, ou seja, o processo de aprendizagem na educação infantil é pautado no aprender de forma ativa, corporalmente e cognitivamente. Entretanto ao ingressar nas series iniciais do ensino fundamental, por um período exato de 9 anos (caso não reprove em nenhum deles) este é obrigado a aprender parado, sentado em uma cadeira e possui apenas a responsabilidade de reproduzir de forma escrita ou oral aquilo que ouve e vê, voltando assim aos padrões da pedagogia tradicional pautada na figura de soberania do professor.

 

O indivíduo que é forçado a ficar sentado, parado o tempo inteiro por um período considerável, logo tornar-se-á um ser passivo, aceitador e sem criticidade para reivindicar os próprios direitos, ou seja a sociedade desde cedo é estimulada a ser passiva ao que lhe é posto pelas classes dominantes e o próprio sistema educacional vigente estimula este processo.

 

Lamentavelmente, isto vai contra os padrões humanos do aluno, pois este de acordo com a grande maioria dos autores contemporâneos deve ser tratado como ser ativo, construtor do próprio conhecimento, por meio de ações pedagógicas conjugadas com a teoria que lhe é evidenciada.

 

Nesse sentido, vale destacar que, ao tornar a sociedade passiva, a classe dominante não precisa se preocupar em fazer as tramoias necessárias para favorecer o corporativismo e as grandes elites econômicas pois o detentor do poder (povo) continuará lá, sentado em uma cadeira ouvindo tudo de forma calada.

 

Alguns sistemas educacionais, caminham para a integralização do ensino, ou seja, colocar o aluno como centro do processo educacional e trata-lo como autor do próprio conhecimento retirando do educador o papel de detentor soberano do conhecimento (pois este não é) e alocando a responsabilidade do processo educacional a ambos.

 

Como dizia o saudoso mestre, Paulo Freire Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.

 

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Maykon Dhonnes de Oliveira Cardoso e professor, especializado em docência do ensino fundamental, graduado em pedagogia e aluno dos cursos de especialização em sociologia e política. E-mail: prof.maykoncardoso@gmail.com.

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